O poema é o que ocorre depois do amor, Ou aquilo que não se diz o que se sente. Ele é o desejo que não se mostra, Uma aposta incerta e pessoal; Um dizer confessável à quem tem ouvidos — lidos! Por juízes de nenhuma moral. O poema nasce na raiz de uma revolução, Na flor da guerra e nos corações; Em palavras de ordem e regresso; No pedido de rendição. O poema é um pedido de volta Àquela saudade que se agita no peito Feita tão somente de imagens Além da dor, da dúvida ou do desespero. O poema nasce quando se morre, Ele acontece quando nada mais pode. Metamorfoseai-vos sentimentos abundantes, Encham-se de cor e tomem forma Tinjam o papel de novas memórias A crescer no tempo Para além das gerações vindouras. Não havendo outra forma de exagerar O que se quer falar e pensar da anatomia Da curiosidade da vida E a tudo a farta. Enquanto se vive aqui, O poema acaba.