Qual palavra é está escondida? Ressentida ou resguarda; Traria consigo alguma vida Ou seria de morte trágica? Portaria o peso de tudo Ou se esvaziaria no nada? Seria indigna e maldita, Ou seria inteira sagrada? Não, não haveria de haver Boca mundana que a dissesse Ou ouvidos que a ouvissem Ou textos que a transcrevem. Sequer, talvez, foi inventada, Ou de tão ignorada Perdeu-se em seu tempo Transpassando seu momento E para sempre, enterrada. Desiludido, o Poeta cava, Procura e anseia tal palavra Sem sucesso e em obsessão, Pois poderia tal palavra Trazer, enfim, toda a graça E a alegria viesse Sem “mas”, “porém” ou objeção. Só o que teríamos Só o que haveríamos É de ouvi-la E assim traria ao mundo: Compreensão.