Qual palavra é está escondida? Ressentida ou resguarda; Traria consigo alguma vida Ou seria de morte trágica? Portaria o peso de tudo Ou se esvaziaria no nada? Seria indigna e maldita, Ou seria inteira sagrada? Não, não haveria de haver Boca mundana que a dissesse Ou ouvidos que a ouvissem Ou textos que a transcrevem. Sequer, talvez, foi inventada, Ou de tão ignorada Perdeu-se em seu tempo Transpassando seu momento E para sempre, enterrada. Desiludido, o Poeta cava, Procura e anseia tal palavra Sem sucesso e em obsessão, Pois poderia tal palavra Trazer, enfim, toda a graça E a alegria viesse Sem “mas”, “porém” ou objeção. Só o que teríamos Só o que haveríamos É de ouvi-la E assim traria ao mundo: Compreensão.
Ilhado em meu desespero particular Vasculho em detritos sentimentais Algo que possa me trazer alento Ou demonstre além do que vejo, Que alguma diferença faça. Sou hoje de silêncio e nada. Guiado pelas estrelas de outros tempos Caído em mórbido pensamento Perdido em esperanças de coisas que nem nasceram ainda. Coisas que não criaram vida. Volto meu olhar turvo ao espelho do mar Não vejo nada que se vale invejar Além do que poderia ter tido, Quem mais poderia ter sido E que agora estaria em meu lugar. Ah, não! Não me leve agora. Não me leve embora, oh; Breve música de ninar. Desperto salvo por um deus, Uma arte criada em particular E me dói a cabeça ao pensar Que está para raiar um novo dia. Quisera estar em outro lugar? Quereria. Creria ter sido salvo por um anjo Transcrito em poesia Mas tudo que vejo é um vasto oceano Em movimentos constantes Com ond...
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